Metroidvania: Gênero se mantém relevante e divertido mesmo após quase 30 anos de existência
Confira outras experiências tão boas quanto as que Castlevania: Symphony Of The Night, Metroid e Hollow Knight proporcionam.

Dentre os muitos tipos e gêneros criados na indústria de videogames, um deles atrai fãs e muitos adeptos: o Metroidvania, criado a partir de dois jogos que impactaram de maneira tão gigante a comunidade que a relevância de suas obras permanece inalterada. Desenvolvedores, com suas obras autorais, conseguem acertar tanto na nostalgia quanto em propostas inteiramente novas, que misturam referências de clássicos. Nessa receita de bolo tão gostosa, aspectos até híbridos estão cada vez mais comuns: Souls-likes e até os de ação e aventura são uma companhia constante dessas mecânicas. Antes de te mostrar essas pérolas menos conhecidas, é essencial te apresentar também os maiores. Confira:
Super Metroid (1991)

Eu jamais poderia começar este artigo sem citar essa obra: Super Metroid começou a ideia bem executada: cenários variados, muitos segredos e o famoso backtracking, que nada mais é do que voltar a locais já explorados para procurar novos itens ou passagens liberadas de acordo com novas habilidades adquiridas pela personagem principal, Samus. É amado e aclamado até hoje.
Castlevania: Symphony Of The Night (1997)

Castlevania: Symphony Of The Night trouxe mais tempero e sabor. Incluiu uma mecânica mais direta de níveis, equipamentos mais variados e o sistema delicioso dos RPGs, tão queridos até hoje. Alucard começava fraco e quase indefeso contra as forças do mal. Conforme você subia de nível e adquiria armas melhores, Alucard se transformava no guerreiro definitivo na luta contra seu pai, Drácula. A arte gótica dos personagens, trazida pela artista Ayami Kojima, a beleza da música clássica de Michiru Yamane e o conhecimento e ousadia de Koji Igarashi em mudar a chave da franquia — conhecida por sua dificuldade e com foco em um sistema de fases lineares já batido — trouxeram uma obra ímpar que se inspirou no belíssimo Super Metroid, trazendo novidades e abordagens igualmente divertidas.
Hollow Knight (2017)

Hollow Knight merece demais estar nesse panteão. Além de apresentar o gênero para uma nova geração de fãs entusiasmados, ele também trouxe uma proposta mais clássica, velha escola. O sistema de RPG consolidado sai de cena para uma abordagem mais direta. O cavaleiro vazio se fortalecia com talismãs que contavam com custos e habilidades únicas. Ao invés de barras de vida, mana e numerais incontáveis de dano, a aposta aqui foi mais simples e direta, como jogos clássicos: o cavaleiro tem a vida representada com suas efígies. Você usa apenas uma espada, que é melhorada com itens pontuais espalhados no vasto mapa do jogo. A recuperação de vida não se dava por poções ou itens consumíveis, mas atacando seus inimigos e gerando energia para o pequeno se curar. O movimento é demorado e trazia uma camada de estratégia gigante nas lutas. Com uma direção soberba, muitos segredos e uma constante necessidade de se adaptar aos diversos inimigos e chefes, Hollow Knight é um jogo marcante, lindo e que não pode ficar de fora na lista de qualquer fã do gênero.
Strider (2014)

Uma jóia esquecida. Desenvolvido pela Double Helix e os estúdios de Osaka da Capcom, Strider se consolida como parte daqueles jogos bons que acabamos perdendo no caminho. A história é simples e direta: Strider é uma organização de assassinos letais, e seu melhor membro, Hyriu, é enviado a uma missão em Kazakh para derrotar um alvo: o Grão-Mestre Meio. O jogo tem um combate mais rápido e uma exploração muito mais frenética. Essa ideia traz um frescor muito bem-vindo que o diferencia de outros do gênero e que com certeza vale demais o seu tempo.
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Ender Lilies: Quietus Of The Knights (2021)

Jogo desenvolvido pelos estúdios Adglobe e Livewire, sendo distribuído pela Binary Haze, Ender Lilies é bonito, divertido e muito viciante. Com um sistema de mapas diferente e mais objetivo que outras contrapartes do mercado, o charme do jogo está no uso de familiares no lugar de armas propriamente ditas. Guerreiros caídos ajudam uma sacerdotisa, a última de sua linhagem, a tentar salvar seu mundo em decadência de uma chuva misteriosa que destrói tudo que toca e transforma boas pessoas em monstruosidades. Ender Lilies é simplesmente um dos melhores metroidvanias do mercado, e é um crime ele não ser falado tanto quanto merece. A sequência, Ender Magnolia, é igualmente imperdível, mas falarei dele depois que eu concretizar minha experiência.
Cookie Cutter (2023)

Divertido, desbocado e ambientado num futuro utópico, Cookie Cutter me cativou pela estética única, mundo bizarro e história dramática. Uma cientista, uma expert em engenharia que trabalhava para uma empresa sem escrúpulos que via a vida como um negócio, resolve quebrar o ciclo: ela não usaria os poderes do vazio, o poder misterioso de onde surgiu a megaestrutura planetária, para fazer construtos sem personalidade conhecidos como donzelas. Milhares de pessoas perderam sua essência vital e acabaram virando engrenagens que mantinham a Cidade Dourada funcional. O que ela não esperava é que a ciborgue com pensamento próprio e sentimentos, construída por ela, seria o grande amor de sua vida e acabaria sendo envolvida numa trama obscura e violenta. Jogar Cookie Cutter é uma experiência completamente diferenciada. Apenas o recomendo, no entanto, no PC e no Switch. A edição Overkill definitiva foi lançada apenas nesses sistemas. Ainda que o jogo original seja fantástico, a edição Overkill tem muito conteúdo bacana na qualidade de vida da obra pra ignorar.
Mandragora – Whispers Of The Witch Tree (2025)

Mandragora é uma das gratas surpresas deste ano. Mesclando um sistema de combate souls-like com uma exploração completamente Metroidvania, o jogo agrada demais com sua belíssima arte e jogabilidade 2.5D. Espere um conto de fantasia onde uma energia destruidora de mundos, a entropia, oprime as pessoas e mergulha o mundo no caos. Na pele de um inquisidor escolhido pelo rei para defender seu povo das malévolas bruxas e outras ameaças monstruosas, viaje por um mapa rico e vasto em uma campanha divertidíssima que pode variar de 25 a 40 horas. O sistema de evolução também é uma combinação de níveis e janela de habilidades, criando vastas combinações e construções de personagens. O jogo é todo dublado, e não poderia deixar de mencionar a competência do estúdio nessa interação. Recomendadíssimo!
Blasphemous e Blasphemous 2 (2019–2023)

Uma obra que merece destaque. Pautado na cultura espanhola, precisamente das lendas e mitos religiosos de Sevilha, Blasphemous tem uma pixel art hipnotizante, história com pauta em religião fantástica e um combate visceral. Na história do jogo, uma espécie de manifestação de fé conhecida como O MILAGRE traz graça e penitência de uma maneira bizarra. Como membro do último sobrevivente de uma ordem onde o silêncio é seu fardo, explore Cvstodia e lute contra essa natureza, enfrentando criaturas bizarras e guerreiros que protegem essa doutrina no processo. Um dos poucos jogos do gênero que me cativaram a ponto de voltar inúmeras vezes aos seus mundos. O segundo expande ainda mais a qualidade com um sistema de combate mais refinado e uma trilha sonora simplesmente espetacular. É imperdível.
Espero que tenham gostado desse artigo. Me despeço de vocês hoje.
Logicamente que existem outras obras ímpares da indústria e me contive em fazer uma mera menção honrosa para tais jogos, mas falaremos deles em uma vindoura parte 2. Até lá!
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Bruno Castelar
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